João de Matos Filipe (Ortiga, 25 de dezembro de 1947) é um historiador e investigador português, natural da freguesia de Ortiga, concelho de Mação. É autor do livro Cultura e artes da pesca tradicional no rio Tejo em Ortiga e coautor de um artigo com revisão por pares sobre as pesqueiras do Tejo, estruturas cuja construção remonta, pelo menos, ao século XVI.12
A sua importância é sobretudo documental: boa parte do que se conhece sobre a história recente de Ortiga foi por ele recolhida e publicada.1
Percurso
Nasceu em Ortiga a 25 de dezembro de 1947.1 De família de recursos limitados, iniciou os estudos tardiamente e, concluída a primeira fase académica, foi trabalhar para a Caixa de Previdência e Abono de Família da Indústria do Distrito de Lisboa.3
Em paralelo com o trabalho, prosseguiu os estudos em regime noturno, com aulas diárias entre as 19 e as 23 horas, e licenciou-se em História.3 Passou depois à Administração Regional de Saúde de Santarém, onde exerceu cargos dirigentes e se reformou em 2008.3
Aprendeu a pescar no Tejo em criança, com o pai e com os vizinhos, numa freguesia em que, como recorda, «não havia família que não pescasse uma saboga para comer».1
Obra
A sua obra principal é Cultura e artes da pesca tradicional no rio Tejo em Ortiga, publicada por volta de 2012 e apresentada na sua terra natal.13 Incide sobre a pesca tradicional no Tejo — as pesqueiras, a tarrafa, o picareto e o léxico associado — e sobre a cozinha ribeirinha que dela derivou.1
Em 2019 assinou, com Jaisson Teixeira Lino, Sara Cura e António Luiz Miranda, o artigo «Arqueologia, História e Etnografia da Pesca: Pesqueiras e Tradição da Pesca em Ortiga (Rio Tejo, Mação)», publicado no vol. 59 da revista Trabalhos de Antropologia e Etnologia, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.2 As pesqueiras são aí apresentadas como estruturas arquitetónicas maioritariamente de material lítico, usadas na atividade piscatória e datadas de pelo menos o século XVI.2
Fonte para a história de Ortiga
Numa longa entrevista publicada pelo mediotejo.net em 2020, reconstituiu as hipóteses em torno da etimologia do topónimo, a criação do cemitério (1912-1913), a Comissão Política Republicana de Ortiga (1909), a elevação a freguesia (1928) e a fundação da Liga Regional de Melhoramentos de Ortiga (1929).1 Descreveu igualmente duas tradições que considerava ainda resistentes — o Enfeitar das Fontes e a serração das velhas —, bem como a gastronomia ribeirinha.1
Uma biografia excecional
A biografia, publicada a 27 de dezembro de 2012 no blogue Dádivas, é a única biografia de um ortiguense disponível em linha identificada no levantamento feito para este projeto.3 É, porém, um texto celebratório escrito por um conhecido, e não um estudo biográfico — as apreciações que contém pertencem ao seu autor e não devem ser lidas como factos.
Permanecem por apurar dados elementares: a composição da família, o percurso escolar anterior ao ensino superior, a natureza dos cargos dirigentes exercidos, a data e o editor do livro, e uma eventual participação em corpos sociais de associações locais.3
Dados principais
- Nascimento: 25 de dezembro de 1947
- Naturalidade: Ortiga, Mação, Santarém
- Formação: licenciatura em História (regime noturno)
- Percurso profissional: Caixa de Previdência e Abono de Família da Indústria do Distrito de Lisboa; Administração Regional de Saúde de Santarém (reformado em 2008)
- Obra principal: Cultura e artes da pesca tradicional no rio Tejo em Ortiga (c. 2012)
- Coautoria científica: Trabalhos de Antropologia e Etnologia, vol. 59 (2019)
- Família e cargos associativos: não apurados
Ver também
- Ortiga — freguesia onde nasceu e que estudou
- Enfeitar das Fontes — tradição que descreveu
- Liga Regional de Melhoramentos de Ortiga — coletividade cuja história documentou
- Barragem de Belver — infraestrutura sobre a qual se pronunciou
- Estação Arqueológica Romana de Vale de Junco — sítio arqueológico da mesma freguesia
Fontes
- Lopes, Amorim, João de Matos Filipe — homem com «H», blogue Dádivas, 27 de dezembro de 2012 — 59abc59.blogs.sapo.pt
- Mourato, Paula, Ortiga, um topónimo pouco pacífico em terra de gente determinada e consciente que a união faz a força, mediotejo.net, 2020 (republicado em agosto de 2023) — mediotejo.net
- Filipe, João de Matos; Lino, Jaisson Teixeira; Cura, Sara; Miranda, António Luiz, Arqueologia, História e Etnografia da Pesca: Pesqueiras e Tradição da Pesca em Ortiga (Rio Tejo, Mação), Trabalhos de Antropologia e Etnologia, vol. 59, 2019 — ojs.letras.up.pt
Como citar
FILIPE, João de Matos (1947–). In: Enciclopédia de Ortiga. Ortiga, 2026. Disponível em: /ortiga/pessoas/joao-de-matos-filipe/. Consultado em [data de consulta].
Notas
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Mourato, Paula, «Ortiga, um topónimo pouco pacífico em terra de gente determinada e consciente que a união faz a força», mediotejo.net, 2020, republicado em agosto de 2023 (consultado em 18 de outubro de 2026). A entrevista regista que «João de Matos Filipe nasceu no dia de natal de 1947» e que o autor «também já escreveu sobre essa culinária no livro ‘Cultura e artes da pesca tradicional no rio Tejo em Ortiga’». Sustenta ainda o testemunho sobre a tarrafa e a pesca da saboga, a criação do cemitério, a Comissão Política Republicana, a elevação a freguesia, a fundação da Liga e a caracterização das tradições. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8
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Filipe, João de Matos; Lino, Jaisson Teixeira; Cura, Sara; Miranda, António Luiz, «Arqueologia, História e Etnografia da Pesca: Pesqueiras e Tradição da Pesca em Ortiga (Rio Tejo, Mação)», Trabalhos de Antropologia e Etnologia, vol. 59 (2019), Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Artigo com revisão por pares. O resumo indica que as pesqueiras são estruturas «mostly composed of lithological material used in fishing activities» e que estão «dated since at least the sixteenth century». Verificado em 18 de outubro de 2026. ↩ ↩2 ↩3
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Lopes, Amorim, «João de Matos Filipe — homem com ‘H’», blogue Dádivas, 27 de dezembro de 2012 (consultado em 18 de outubro de 2026). Texto biográfico celebratório, escrito por um conhecido e sem aparato documental; é a única biografia publicada de um natural de Ortiga localizada neste levantamento. Dele constam a naturalidade, o início tardio dos estudos, a passagem pela Caixa de Previdência e Abono de Família da Indústria do Distrito de Lisboa, o ensino noturno entre as 19 e as 23 horas, a licenciatura em História, o serviço na Administração Regional de Saúde de Santarém e a reforma em 2008. As apreciações de carácter são do autor do texto. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6